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Do Candy Crush ao Waze: dependência de brasileiros a apps vira tema de pesquisa

Postado em: 10/06/2015, às 13:22 por Fernando Paiva

Ninguém questiona os benefícios proporcionados em nosso cotidiano pela tecnologia digital e particularmente pela telefonia móvel. Porém, há muita gente que está perdendo o controle e fazendo um uso abusivo dos celulares, podendo ser diagnosticada como dependente. Estima-se no exterior que 30% da população mundial seja dependente de redes sociais, como o Facebook, por exemplo. Mas qual é o grau de dependência digital do brasileiro? Esse é o tema de uma pesquisa do Instituto Delete, que há cerca de dois anos iniciou um programa de tratamento para dependentes digitais no Rio de Janeiro que já recebeu mais de 400 pessoas. Várias delas se queixam de dependência a apps móveis específicos. O Facebook e o WhatsApp estão entre os mais citados, mas também aparecem jogos, como Candy Crush, e até o aplicativo de trânsito Waze. Um artigo científico traçando o perfil do dependente digital brasileiro está sendo preparado pelos psicólogos e psiquiatras que fazem parte do Instituto Delete e deve ser publicado dentro de alguns meses.

"Não somos contra a tecnologia, somos a favor do seu uso consciente. Desde a pintura rupestre até o telégrafo, o objetivo de qualquer tecnologia de comunicação é encurtar distâncias, otimizar o tempo e nutrir as relações humanas. Mas, paradoxalmente, a tecnologia que aproxima também distancia. O telefone e a Internet, que aproximam você de um parente distante, lhe distanciam dos amigos em uma mesa de bar", explica Eduardo Guedes, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e membro-fundador do Instituto Delete.

Em seu site, a instituição disponibiliza alguns questionários que servem como testes para medir a dependência à tecnologia. Houve mais de 1 mil respondentes até agora. Os resultados estão sendo cruzados com outros dados de pesquisas e indicadores de doenças para embasar o artigo científico em elaboração.

Segundo Guedes, as pessoas podem ser classificadas em três tipos, de acordo com seu uso da tecnologia digital: aquelas com um uso moderado; aquelas com uso abusivo; e aquelas com uso abusivo e dependente. A caracterização da dependência se dá quando há uma perda de controle sobre a própria vida. Os pesquisadores destacam alguns sinais, como: quando a pessoa se sente excitada e mais segura no mundo virtual que no real; quando programa o seu dia para o uso da tecnologia; quando fica irritada e de mau humor enquanto está sem acesso à tecnologia; quando o uso abusivo gera conflitos na vida real, como perda de amigos e piora do rendimento escolar ou profissional. "É uma dependência silenciosa. É difícil olhar para alguém e classificá-lo como dependente digital, ao contrário do cigarro e da bebida", comenta Guedes.

O vício em telefonia celular, especificamente, já tem um nome extra-oficial: "nomofobia". Trata-se do medo de ficar sem comunicação móvel. A grande maioria das pessoas volta para casa quando percebe que esqueceu o celular, mas uma parcela delas sente taquicardia, ansiedade e tremor nas mãos: são sinais de nomofobia.

A dependência digital ainda não é oficialmente considerada uma doença psiquiátrica por si só, mas pode servir como um gatilho para despertar ou acentuar outras, como depressão, ansiedade, síndrome do pânico etc. O tratamento, nestes casos, costuma ser medicamentoso, de acordo com a doença diagnosticada.

Há também consequências físicas, como hérnia de disco e tendinite nas mãos por excesso de digitação ou postura inadequada, relata Guedes.

Terapia e educação

No caso de uso abusivo não dependente, a melhor solução é a terapia cognitiva. Paralelamente, os pesquisadores do Instituto Delete entendem que a sociedade precisa discutir mais sobre etiqueta digital e o que seria um uso adequado das novas tecnologias. "Por que é socialmente aceito que uma pessoa escreva no celular enquanto dirige, mas não que beba cerveja ao volante? É comprovado que hoje em dia o envio de mensagens de texto gera mais acidentes no trânsito que a bebida", compara. Um manual de etiqueta digital está sendo redigido pelos pesquisadores do instituto. Além disso, a entidade está firmando parcerias com escolas para compartilhar seu conhecimento com estudantes.

Serviço

O programa de avaliação de dependentes digitais do Instituto Delete recebe as pessoas interessadas toda sexta-feira, entre 8h e 12h, no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, localizado no campus da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Os questionários-teste criados pela entidade estão disponíveis em seu site.

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