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Facebook inflou a bolha móvel?

Postado em: 19/02/2014, às 23:36 por Fernando Paiva, do Mobile Time

O valor a ser pago pelo Facebook pelo aplicativo de mensagens WhatsApp é um recorde no mercado de conteúdo móvel: US$ 16 bilhões (ou US$ 19, se considerados os US$ 3 bi em ações do Facebook a serem distribuídas depois de quatro anos da conclusão do negócio). Até então, as maiores transações haviam sido do Waze e do Instagram, vendidos por valores na casa de US$ 1 bilhão, o primeiro para o Google e o segundo para o próprio Facebook. Para se ter uma ideia, o Facebook pagou pelo WhatsApp mais do que a Microsoft gastou com a aquisição da Nokia (5,44 bilhões de euros) e mais do que o Google havia pago pela Motorola (US$ 12,5 bilhões). Detalhe: Nokia e Motorola são empresas com décadas de história, milhares de empregados e um conjunto invejável de patentes de alta tecnologia. O WhatsApp nasceu há poucos anos e funciona com algumas dezenas de funcionários.

As cifras revelam o quanto o mercado de conteúdo móvel ganhou importância, mas também levantam uma questão: estaria se iniciando um processo de bolha nesse setor, como a ocorrida na Internet 15 anos atrás? O valor pago pelo WhatsApp com certeza enche de esperança fundos de venture capital ao redor do mundo assim como jovens desenvolvedores com uma ideia na cabeça e um smartphone na mão. Podemos esperar para os próximos meses mais start-ups móveis nascendo em garagens e uma profusão de rodadas de investimento mundo afora. Isso sem falar em aberturas de capital com cifras elevadas. Um dos primeiros beneficiários será a King, criadora do sucesso Candy Crush Saga, que em breve lançará suas ações na Bolsa de Nova Iorque. É preciso tomar muito cuidado para não se deixar levar pela euforia, lembrando do aprendizado do passado.

Não há dúvidas de que a mobilidade está transformando o mundo e que veio para ficar, assim como fez a Internet. Mas é também um mercado extremamente volátil, no qual a ascensão e queda de uma empresa pode acontecer num piscar de olhos.

Mas será que o Facebook pagou tão caro mesmo? Cabe aqui fazer um cálculo rápido. Quando comprou o Instagram por US$ 1 bilhão em abril de 2012, a rede social de fotos estava disponível apenas para iOS e tinha então 30 milhões de usuários no mundo. Isso significa que à época o Facebook pagou US$ 33,3 por cada usuário do Instagram.  Um ano e meio depois o app cresceu cinco vezes, ultrapassando a marca de 150 milhões de usuários. Boa parte desse crescimento, cabe lembrar, se deveu à entrada na plataforma Android.

O WhatsApp tem 450 milhões de clientes. Portanto, o Facebook pagou US$ 35,5 por cada um deles (ou US$ 42,2, se considerado o valor de US$ 19 bi). Não creio que o WhatsApp tenha o mesmo potencial de crescimento que o Instagram tinha quando foi comprado, por duas razões: 1) já está presente nos principais sistemas operacionais (Android, iOS e Windows Phone); 2) enfrenta forte concorrência de diversos players, principalmente três asiáticos que agora se expandem para as Américas e Europa (Line, WeChat e Kakao Talk). Para igualar o Instagram em crescimento, precisaria alcançar uma base de 2,25 bilhões de usuários no segundo semestre de 2015. Para se ter uma ideia, existem hoje 1,9 bilhão de smartphones no mundo e a previsão da Ericsson é que se atinja 2,6 bilhões em dezembro.

Cabe lembrar que o WhatsApp cobra US$ 1 por ano de cada usuário pelo serviço, depois dos primeiros 12 meses de utilização. Por esse modelo de negócios, demoraria ainda um bom tempo para o Facebook reaver o dinheiro investido. Talvez se trate mais de uma compra estratégica, para conter o avanço de um concorrente. Nos últimos meses, muitos analistas alertaram para a diáspora de jovens do Facebook para outras redes sociais.

Se o Facebook pagou caro ou não, só o futuro dirá. Enquanto isso, empreendedores devem seguir seus sonhos, tomando cuidado para não trocar os pés pelas mãos ou botar o carro na frente dos bois. A cautela também vale para investidores-anjo e fundos de venture capital. O melhor a fazer antes de investir tempo e dinheiro em um novo serviço móvel é se informar. Em resumo: continuem lendo o MOBILE TIME!

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