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M-payment e suas oportunidades perdidas

Postado em: 24/11/2011, às 10:55 por José F. Otero

Após mais de uma década de discussão sobre diferentes modelos de negócio de comércio eletrônico, ainda há pouco entendimento sobre as grandes oportunidades que esses serviços representam para as operadoras. Parte desse desconhecimento se deve à generalização que os aglutina sob o conceito de "banco móvel". Esse erro faz com que se interprete de maneira equivocada o verdadeiro potencial do mercado de transações móveis, pois a bancarização dos clientes representa apenas uma das três principais unidades de negócio desses serviços. Em outras palavras, o enfoque na possibilidade de crescimento da bancarização móvel faz com que se ignore a geração de receita de outros serviços, como as remessas internacionais de valores e os pagamentos por assinatura para acessar uma carteira eletrônica móvel (m-wallet). Sob esse contexto, é importante ressaltar que a bancarização móvel se refere à criação e ao acesso a contas de bancos por parte do usuário, enquanto que para recepção ou envio de remessas financeiras ou para compras por meio de um dispositivo móvel não é necessário ser bancarizado.

Entendendo isso, é importante acrescentar que os serviços de m-wallet ou de m-banking não se traduzirão em grandes receitas para as operadoras no curto prazo.Muito pelo contrário: tudo indica que ao menos nos primeiros anos de serviço as vantagens do m-banking são maiores para os bancos, que, por meio do serviço, obtêm uma redução de seus gastos operacionais, recriando a experiência do setor nos tempos de lançamento dos caixas eletrônicos. Por sua vez, a m-wallet teria a curto prazo uma utilização mínima por parte de clientes que não estão acostumados com esse tipo de serviço e que, em razão de preconceitos ou desinformação, preferem não usar seus dispositivos móveis para pagar por produtos. Inicialmente a carteira eletrônica móvel será um método alternativo de compras em casos de emergência ou para desfrutar de descontos em localidades específicas, como em cinemas. Hipoteticamente, considerando uma receita média por usuário (ARPU, na sigla em inglês) anual de US$ 1 com serviços de m-wallet na América Latina, teremos o correspondente a US$ 500 milhões ao ano, dos quais mais de 40% viriam do Brasil. Ou seja: existe um grande potencial para um serviço que as operadoras ainda não entenderam como explorar.

O que as operadoras móveis podem fazer é implementar o negócio de remessas internacionais, enquanto esperam pelas soluções adequadas para incrementar a bancarização e impulsionar os serviços de pagamento com celular. A vantagem das operadoras é poder identificar facilmente os lugares da Europa, dos EUA e do Canadá onde se encontram a maioria dos imigrantes. Isso as permite estabelecer os acordos necessários para definir os pontos de venda e iniciar a oferta dos serviços. Com tarifa de 4% de comissão por transação teriam um preço entre 50% e 70% mais barato que o cobrado por empresas tradicionais de remessas internacionais, como Western Union. Quão grande é o mercado de remessas na América Latina? Estima-se que no fim de 2011 as remessas internacionais para a América Latina superem US$ 60 bilhões. Isso significa que com 4% de comissão (o que é um percentual excessivamente baixo) haveria uma receita adicional de US$ 2 bilhões para as operadoras. Somente para o Brasil a receita potencial para as teles durante um ano seria ao redor de US$ 200 milhões.

Obviamente, é impensável considerar que as operadoras fiquem satisfeitas com o mero lançamento de uma rede internacional de remessa de valores sem agregar sinergias a seus negócios, seja pela comercialização direta ou seja como intermediárias de aliados comerciais. É precisamente nesse ponto que os serviços de transações móveis representam um novo canal de geração de receitas para as teles, através do pagamento de assinatura pela utilização do serviço. Não se trata de inventar uma nova cadeia de valor, mas de repetir métodos já comprovados em que um supermercado ou loja de alimentos são os pontos onde o usuário pode retirar o dinheiro que recebeu do exterior e onde pode gastá-lo de forma imediata com víveres ou outros produtos necessários para a sua família.

A recomendação é que os pontos de venda abram mão da maior parte do valor da assinatura, pois existe o risco de que se o preço for alto os usuários não utilizarão o serviço. Assim, poderia ser adotado o modelo dos cartões de crédito, que cobram uma anuidade. Finalmente, independentemente do modelo de negócios que for adotado para transações móveis, não há dúvidas de que o sucesso dependerá da colaboração entre três atores: entidades financeiras, operadoras móveis e autoridades regulatórias.

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