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O caos proposital a serviço da educação

Postado em: 27/11/2014, às 10:46 por Luis Felipe Gutman, da UVA

Em 1999, o renomado pesquisador Sugata Mitra apresentou ao mundo seu trabalho a respeito de organizações de auto-aprendizado, utilizando como base o poder da tecnologia. Em resumo, sua teoria diz de que crianças com acesso à Internet podem aprender quase tudo sozinhas. E em 2013, seu projeto “School in the Cloud” (*) foi premiado com US$ 1 milhão na premiação “TED prize”. Mitra muitas vezes ilustra sua teoria com a expressão “caos proposital”. Ele acredita que em situações de caos, onde todos são ignorantes sobre determinado assunto, mas possuem acesso à informação de forma livre, o caos evolui para um ambiente de aprendizado mútuo, colaboração e, por fim, domínio do conhecimento. Proponho então, neste artigo, uma reflexão a respeito do uso livre de tecnologia nas salas de aula, seja para crianças, adolescentes ou adultos.

Atualmente, quando falamos de tecnologia, devemos sempre pensar em mobilidade. Segundo a Anatel, o Brasil possuía, em setembro de 2014, cerca de 278 milhões de aparelhos celulares. Isso equivale a mais de um celular por habitante, e este número continua a crescer. Pela primeira vez na história, temos hoje mais celulares e tablets do que habitantes no mundo. Ou seja, mobilidade significa tecnologia acessível a todo mundo, o tempo todo. Então, ao discutir tecnologia para salas de aula, deve-se pensar em tecnologia móvel.

Existe um paradigma sobre a utilização das tecnologias em sala da aula. De um lado, o conservadorismo dos métodos de ensino convencionais, do outro, a vanguarda da inovação tecnológica. Ambos possuem razão em seus argumentos, e ambos possuem fraquezas. A mobilidade em sala de aula deve ser utilizada, e incentivada, a partir de um planejamento didático que fortaleça o aprendizado, assim como Sugata Mitra incentiva a utilização da Internet para promover a busca livre por novos conhecimentos. Apesar de ser muito claro o potencial e o alcance da tecnologia móvel, este recurso é ignorado por muitas instituições e, até mesmo, proibido em alguns casos.

Para reforçar a importância da utilização de tecnologias móveis em sala de aula, a Unesco divulgou, em 2013, um guia com recomendações práticas para políticos, líderes educadores, instituições de ensino e todos que podem influenciar os métodos de ensino de alguma forma. Este guia possui recomendações e definições importantes sobre este tema. A expressão “Mobile Learning”, por exemplo, foi definida como: “Aprendizado móvel, que envolve o uso de tecnologias móveis, sozinhas ou combinadas com outras tecnologias de informação, para permitir o aprendizado a qualquer hora em qualquer lugar. Isso pode ser feito de diversas formas, utilizando os dispositivos móveis para acessar recursos educacionais, permitir a interação entre as pessoas, criação colaborativa de conteúdo etc.”

Veja na tabela abaixo as principais recomendações da Unesco:

1. Criar ou atualizar POLÍTICAS relacionadas ao aprendizado móvel
2. TREINAR PROFESSORES no ensino através de tecnologias móveis
3. Oferecer SUPORTE aos professores ATRAVÉS DE TECNOLOGIAS MÓVEIS
4. Criar e aperfeiçoar CONTEÚDO EDUCACIONAL para uso em dispositivos móveis
5. Garantir EQUIDADE DE GÊNERO para os estudantes
6. Expandir e melhorar a CONECTIVIDADE para os dispositivos móveis
7. Desenvolver estratégias para permitir ACESSO IGUALITÁRIO para todos
8. Promover o USO SEGURO, RESPONSÁVEL E SAUDÁVEL das tecnologias móveis
9. Usar tecnologia móvel para melhorar a COMUNICAÇÃO E A GESTÃO DA EDUCAÇÃO
10. CONSCIENTIZAR sobre o aprendizado móvel através de liderança e diálogo
Fonte: Policy Guidelines for Mobile Learning, da Unesco

A utilização de tecnologia móvel na sala de aula pode parecer uma situação de caos: alunos conversando em ferramentas de bate-papo; acessando e-mails; jogando; ouvindo música; ou seja, se distraindo. A possibilidade de dispersão e falta de foco sempre existiu e vai existir, e não é causada pela tecnologia. No entanto, estas mesmas ferramentas de distração podem ser utilizadas para absorção de conteúdo, descoberta, interatividade, inovação, questionamento, automotivação, atividades extraclasse, formas ricas e inovadoras de aprendizagem. O caos proposital pode ser um grande aliado na missão de ensinar e de ensinar a aprender, como Sugata Mitra tem demonstrado.

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