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Unesp cria micro popular com custo de produção inferior a R$ 500

Postado em: 06/03/2007, às 22:50 por Redação

Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências da Unesp, do campus de Bauru, liderado pelo professor Eduardo Morgado, projetou um novo modelo de computador portátil, batizado de Cowboy. O protótipo teve um custo de produção inferior a R$ 500. ?Em escala industrial esse valor pode ficar bem inferior a R$ 400 por unidade?, afirma o docente.

O projeto começou em novembro de 2005 e consumiu um investimento de aproximadamente R$ 80 mil da Unesp. A intenção inicial era criar um dispositivo móvel inovador, de baixo custo e com tecnologia nacional para uso nas salas de aula. ?Ele tem menos recursos que um PC ou notebook, mas é superior a um PDA ou computador de bolso?, explica Morgado.

A principal inovação do projeto foi o seu desenvolvimento com base no conceito de ?computação confortável?, que permite uma navegação mais simples, organizada e intuitiva, ou seja, que exige pouco conhecimento de informática. Com o objetivo de melhorar as funções multimídia e simplificar as configurações de hardware da máquina, optou-se por uma versão aberta do Windows CE, que é usada em computadores de mão. ?Essa alternativa oferece a melhor relação entre custo de desenvolvimento e experiência do usuário?, esclarece Morgado.

Segundo Daniel Igarashi, que utilizará a experiência em sua dissertação de mestrado na Faculdade de Ciências, o Windows CE foi escolhido por se adaptar bem à proposta do Cowboy e por ser de código aberto ? que permite acesso ao código fonte e modificações no programa original. Com capacidade de processamento multimídia equivalente à de um Pentium 3, o protótipo pode dispensar o uso do mouse, em função de sua nova proposta ergonômica, em que cada aplicação pode ser acessada por uma única tecla.

O computador terá um painel de cristal líquido (LCD) de 7,7 polegadas que desliza sobre o teclado, para que seja usado como um livro eletrônico. O protótipo tem processador Risc de 400 MHz, 128 MB de memória RAM, tela colorida de alta resolução, 1 GB de capacidade interna e conectividade sem fio e por cabo, saída de vídeo para TV ou monitor de PC.

De acordo com Morgado, o computador oferece uma nova interface com o usuário, com editor de textos e leitor de documentos (e-book), tocador de MP3 e vídeos MPEG-2. Também possui suporte a softwares educacionais, acesso a outros computadores (como terminal remoto) e recepção de mensagens instantâneas, além de conexão com outros dispositivos sem exigir configuração adicional da máquina. Isso será possível porque o projeto adota a tecnologia UPnP (Universal Plug and Play), que facilita a conexão entre dispositivos de informática.

Todo o projeto, do gabinete à placa-mãe, pode ser produzido no Brasil, tanto que já existem algumas unidades da placa-mãe fabricadas no país. Essa característica, segundo Morgado, pode levar a uma significativa geração de empregos, caso o projeto ganhe escala industrial.

Os projetos de hardware, software e design foram desenvolvidos no Laboratório de Tecnologia da Informação Aplicada (LTIA), ligado ao Departamento de Computação da Faculdade de Ciências, com o apoio das empresas Tecnequip e MSTech. Sediada na capital paulista, a primeira atua no de desenvolvimento de hardware e equipamentos de alta tecnologia. A segunda, localizada em Bauru, é uma empresa de tecnologia da informação, provedora de soluções para os segmentos educacional e corporativo.

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