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A revolução da informática e seu impacto cultural e político

Postado em: 13/01/2012, às 16:22 por Redação

Sem dúvida alguma a informática proporcionou a partir da segunda metade do século passado, uma das transformações mais abrangentes que a tecnologia poderia engendrar, pois não se limitou a um campo estrito da indústria, do comércio e das comunicações. A tecnologia da informação pode ser pensada como revolução semelhante ao livro, que se tornou possível a partir da invenção da imprensa por Gutenberg no século 21. Até então, como afirmou o historiador francês Lê Pen, um livro levava cerca de dois anos para ser transcrito, o que o tornava objeto extremamente raro e inacessível na sociedade da época. O conhecimento, portanto, ficava restrito aos clérigos e para pequena elite que podia comprar livros.

Com os livros passando a serem impressos em lotes de 200 ou mais exemplares e com custos significativamente menores do que as obras transcritas manualmente ao longo de anos, o acesso à cultura e à informação se tornou muito mais democrático, possibilitando aos estudantes e mesmo às poucas pessoas alfabetizadas na época a aquisição de livros que abririam as portas para novo mundo.

Outro aspecto importante, é que os livros, não dependendo apenas da lenta transcrição que ocorria nos mosteiros, estabeleciam, também, maior liberdade de expressão para as mais diversas tendências. Assim, o mundo presenciou grande revolução na informação e na comunicação, que, guardadas as devidas proporções, foi de fato tão significativa como o surgimento da Internet.

As transformações sociais, políticas e econômicas com a democratização do livro foram extremamente relevantes na época. As universidades puderam, a partir daí, ter acesso a bibliotecas mais amplas e diversificadas. As bíblias impressas e mais acessíveis, de certa forma, também criariam as condições para as dissidências no âmbito do Cristianismo com o surgimento da pluralidade de interpretações das Escrituras. As pesquisas científicas, os textos filosóficos e a literatura narrativa, em pouco tempo ganhavam o mundo abrindo as portas da cultura e do conhecimento a classe social emergente, a burguesia, que seria protagonista de nova revolução social e política no século 18. Dessa forma, não é exagero afirmar que a revolução da informática, guardadas as devidas proporções, pode ser comparada à invenção da imprensa há quase cinco séculos.

Por sua vez, a informática no seu início, ficou limitada às operações administrativas das grandes empresas e posteriormente de governos, mas suas possibilidades e campos de aplicações foram se tornando infinitos, principalmente por ser capaz de processar milhões de dados ao mesmo tempo, tornando as pesquisas mais rápidas e precisas. Temos aí o exemplo recente das pesquisas do genoma humano, cujos dados se tornaram acessíveis a todo mundo científico, numa estratégia bem-sucedida, diga-se de passagem, ao se criar agentes multiplicadores no processamento de bilhões de informações que seriam inviáveis para único centro de processamento de dados.

Se as suas vantagens foram múltiplas e expressivas para o desenvolvimento humano, não podemos esquecer que o rápido progresso proporcionado pela informática, em descompasso com o de inclusão de grande parte da população do terceiro mundo, gerou rapidamente novo tipo de analfabeto: o digital, cujo acesso ao mercado de trabalho e a informação se tornou ainda mais restrito, pois os avanços da tecnologia com o emprego de processos informatizados eliminam aqueles que são incapazes de operar máquinas e equipamentos sofisticados. Ainda, no campo social, apesar dos avanços operados no que se referem à Medicina, envolvendo o controle de doenças, tecnologias cirúrgicas, exames laboratoriais, parece ter tornado ainda mais distante a possibilidade de inserção dos mais pobres e na nova sociedade.

A tecnologia da informação, pelas suas amplas possibilidades de utilização, pode, também, ter seu lado sombrio, construindo novas formas de controle da sociedade por Estados autoritários. E seria realmente assustador imaginar o nazismo ou outros tipos de totalitarismos controlando essas formas sofisticadas de controle social. Em contrapartida, os mais otimistas podem visualizar sociedades mais democráticas no futuro, com sistemas políticos utilizando a participação direta da população por meio da Internet, reduzindo a intermediação nas votações de projetos de interesse geral. De qualquer forma, as redes sociais tenderão a ampliar seu papel nas diversas formas de intervenção política na sociedade, inibindo a corrupção e despotismos de Estado, como já tivemos oportunidade de testemunhar nos últimos acontecimentos no Oriente Médio.


Renato Ladeia é professor do curso de Administração do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana)

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