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Em defesa do software

Postado em: 13/01/2016, às 09:53 por Mike Gregoire

Deparei-me recentemente com dois artigos sobre a indústria de software. Um dizia que o mercado global de tecnologias relacionadas à "internet das coisas" tende a triplicar até 2020, gerando US$ 7,1 trilhões. O outro relatava o roubo por hackers de dados pessoais de 15 milhões de contas em uma gigante do ramo de telecomunicações.

Em meio ao escândalo sobre emissões de diesel da Volkswagen, no qual aparelhos e softwares de desativação foram usados para realizar uma fraude, muito está sendo falado sobre o lado negativo dos softwares. Agora, os resultados de emissões falsos se juntaram ao bullying na internet e ao roubo de identidade eletrônica na gigantesca lista de pragas digitais que estão corroendo a sociedade moderna. O que acaba não sendo dito é que esta é somente uma pequena parte da história. É notável o papel central que os softwares têm ocupado na nossa vida e no desenvolvimento de importante parte da economia global.

Na atual Economia dos Aplicativos, softwares executam tudo, de nossos smartphones individuais até empresas gigantes, e foram responsáveis por alavancar o universo das viagens e o modo como utilizamos os bancos, que sofreu uma completa reformulação assim que os canais digitais começaram a dominar o mercado. Caixas eletrônicos e agências de viagens físicas estão se tornando coisa do passado – do mesmo modo que telefones "de disco" e que disquetes. A maioria de nós compra agora passagens aéreas, pagamos a fatura do cartão e compramos comida online.

Os softwares permitem que pequenos negócios cresçam rapidamente, aceleram processos, eliminam barreiras transacionais e permitem a automação. Mais do que isso, reduzem o erro humano e geram dados objetivos que podem ser usados para direcionar inovações e melhorar a funcionalidade de produtos e serviços. É possível afirmar que os softwares são uma porta de entrada para modelos de negócios completamente novos.

Companhias como Google, Facebook, Microsoft, SAP, Uber, Oracle, Airbnb, Amazon, IBM, Salesforce, Twitter, Yahoo, eBay e CA não seriam possíveis sem softwares. Essas 14 companhias empregam mais de um milhão de pessoas e suas receitas somadas equivalem ao PIB da Áustria.

O impacto do software em tecnologias automotivas nos dá um exemplo preciso disso. As novidades eletrônicas em um carro não servem só para garantir uma melhor condução. Elas permitem que seu carro funcione melhor. Há uma razão simples para que os novos veículos não tenham mais carburadores, um artefato mecânico: um sistema de injeção de combustível controlado por softwares consegue fazer o trabalho melhor, ajustando a mistura combustível-ar com alta precisão para melhorar a velocidade do carro, carga do motor, condições atmosféricas e preferências de operação. Esse sistema pode ser facilmente ajustado para otimizar a operação do motor, oferecendo maior eficiência de combustível, potência ou, é claro, menor emissão de gases.

Esse alto nível de precisão e flexibilidade foi o que tornou possível para algumas pessoas da Volkswagen burlar o sistema, mas é também o que faz tantas novas tecnologias serem mais baratas, eficientes e poderosas que seus antecessores mecânicos e analógicos.

No contexto de qualquer processo imaginável, os softwares permitem respostas sutis e variadas para uma gama de necessidades de um modo que as parafernálias mecânicas do passado nunca poderiam ter sonhado ser possível. Hoje, muitas das mentes mais brilhantes ao redor do mundo já adotam o conceito de adaptabilidade infinita oferecida pelos circuitos lógicos para todo e qualquer demanda. Quer fazer uma melhor previsão meteorológica? Centenas de pessoas estão escrevendo códigos para isso no instante em que você está lendo este texto. Interessado em projetar um tênis melhor para jogar basquete? Pois fique sabendo que elaborados programas CAD têm sido escritos para com esta finalidade. Está procurando pelo seu gatinho perdido? Existe um programa para isso também.

Nos dias atuais, será muito mais fácil achar versões modernas de Thomas Edison e Alexander Graham Bell em Hackathons do que em uma loja de máquinas. Isso não significa que a engenharia mecânica é uma ciência que está morrendo, apenas que esses profissionais estão se acostumando a usar softwares para criar seus projetos e a desenvolver estruturas e mecanismos que serão operadas por softwares. Mais de 100 anos atrás, sistemas de controle mecânico-elétricos começaram a tomar o lugar dos sistemas puramente mecânicos. Agora, sistemas controlados digitalmente representam o básico. Enquanto antigamente um prédio grande precisava de uma complexa quantidade de interruptores em sua central telefônica, hoje, uma ou duas pequenas caixas são suficientes.

O software agora é rei. Ele está mudando o formato das cidades, o modo como nos comunicamos e como viajamos, está fazendo a economia crescer, melhorando o trabalho dos governos e resultando em melhores condições médicas. Pode ser encontrado em qualquer lugar e em grandes quantidades. Para os sistemas de controle da complexa aeronave F-22 Raptor, foram desenvolvidas 8 milhões de linhas de códigos. Já o Chevrolet Volt, que é um bom carro, ainda que pareça ser bem menos complexo e aproximadamente US$ 411 milhões mais barato que o F-22, utiliza 10 milhões de linhas de código. Apesar da história mostrar que é possível construir aeronaves de caça e carros elétricos sem usar qualquer código, é óbvio que nenhum desses veículos sensacionais poderiam alcançar metade do que eles fazem sem o benefício de softwares inovadores.

Os softwares de hoje são utilizados para inúmeras inovações – do aprendizado de leitura em pré-escolas ao processo de decisão de quais vegetais serão plantados pelos fazendeiros; da busca por investidores e empregados por empreendedores a pais procurando assistência médica para seus filhos.

Sempre que uma nova tecnologia surge, existirão aqueles que irão tentar adaptá-las para propósitos destrutivos ou fraudulentos. Pela mesma razão, não é justo culpar Gutenberg por todos os spams que você recebe na sua caixa de e-mails.

É claro que nós todos temos uma boa razão para nos sentirmos traídos pelas revelações que surgiram do caso envolvendo a Volkswagen, desencadeado pelo julgamento equivocado de um pequeno grupo de empregados da companhia. Ainda assim, isso não muda o fato de que softwares irão continuar a fazer do mundo um lugar melhor.

Mike Gregoire, CEO da CA Technologies.

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