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Apostas da telefonia móvel passam por banda larga e m-finance

Postado em: 13/02/2007, às 20:53 por Samuel Possebon, de Barcelona

Comparando-se com a indústria da telefonia fixa ou das operadoras de cabo, o que as operadoras móveis ainda não têm é banda larga. Apenas 5% dos usuários de telefonia celular estão ligados a redes capazes de entregar acessos a velocidades comparáveis com o que faz o DSL e o cabo hoje.

Mas tudo indica que existe um grande esforço das operadoras (não é, portanto, só discurso de fornecedor) para reverter esse quadro. Pelo menos é o que se vê no 3GSM World Congress, que acontece esta semana em Barcelona.

Este ano estão sendo implementadas as primeiras redes 3G com capacidade para velocidades de 7 Mbps e 14 Mbps (existente via HSPA apenas na rede da Telstra, na Austrália).

Mas já se fala em capacidades de 40 Mbps para os próximos três anos, o que torna o celular competitivo com redes fixas, ainda que as aplicações sejam diferentes. ?É importante que continuemos a roubar tráfego das redes fixas, inclusive das redes banda larga. Temos que chegar ao mundo on-line e à Internet e por isso precisamos de banda larga?, diz Arun Sarin, CEO da Vodafone.

?Agora temos que participar do universo das informações realtime?, diz Hamid Akhavan, presidente do conselho da T-Mobile e responsável pela divisão de telefonia móvel da Deutsche Telekom. ?Podemos ser apenas provedores de acesso ao usuário, ou podemos viabilizar esse mercado. Para crescermos além da voz e do SMS, teremos que correr mais riscos. A dificuldade é dosar esse risco?, completa.

?As redes fixas são uma realidade, e as pessoas não vão esquecer isso já. Se apostarmos nisso, serão mais de 500 milhões de usuários de celular com banda larga em 2010. É um mercado de que não se pode abrir mão?, diz Sanjiv Ahuja, CEO da Orange.

Emergentes

A questão é: como levar esse universo da banda larga móvel para a grande massa de usuários com baixo poder aquisitivo. Hoje, 60% do mercado móvel está em mercados emergentes (há mais de 2 bilhões de usuários de telefonia celular).

A Índia aparece como a grande estrela entre os emergentes, o Brasil não é citado e o mercado chines considerado demasiadamente fechado. Mas a renda nesses países não comporta a maioria dos serviços e das redes de terceira geração. Aliás, as redes mal estão prontas para 3G nesses mercados.

?É por isso que o grande esforço da indústria agora deverá ser no sentido de levar terminais com capacidade para 3G e HSPA para patamares de preços mais baixos?, diz o CEO da GSM Association, Rob Conway.

Esse é o problema da banda larga também na telefonia fixa. ?Nossa estratégia passa pelos mercados emergentes, tanto que entramos agora na Índia (a Vodafone anunciou a intenção de adquirir a Hutchison Essar indiana e planeja continuar investindo em mercados emergentes)?.

M-finance

Outra aposta da indústria é em relação ao mercado de transações bancárias. A premissa dos operadores móveis é que existe um gigantesco mercado mundial de pequenas transferências bancárias que não podem ser viabilizadas de outra maneira a não ser com o telefone móvel, que chega a esse público.

?São pessoas que não têm conta em banco e que estão em todos os lugares do mundo, e que precisam transferir recursos em pequenos valores mas grandes volumes?, diz Conway. ?Ao lado de mobile TV e mobile advertising, acredito que essa seja a aposta mais importante da indústria de telefonia móvel?, diz Sarin, da Vodafone.

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