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Gestão por truculência: Uma prática em extinção

Postado em: 20/05/2013, às 17:15 por Alberto Parada

Foco nos resultados, necessidade de bater as metas, estratégias agressivas para conquistar o mercado a qualquer preço. Esses mantras são repetidos constantemente para doutrinar você a acreditar que só assim garantirá sua sobrevivência na empresa e no mercado.

Diferentemente do que alguns acreditam, essa doutrina, no entanto, não começa nas empresas, mas dentro de casa. Os pais, com a melhor das intenções, colocam seus filhos em escolas com metodologia de ensino totalmente focada na competição pela competição. A criança aprende, desde cedo, a competir, vencer, ser melhor que os outros; digerem, periodicamente, todas as estatísticas referentes a notas e ranking e "querem" sempre ser os melhores. Custe o que custar.

Os garotos crescem, ficam mais competitivos, se inscrevem em diversos programas de trainee. O objetivo é entrar em todos os programas, não importando o que irão fazer. O que conta é conseguir as melhores posições nas melhores grifes corporativas.

Dia após dia eles são motivados a serem mais e mais competitivos. A competição pela competição os levará a um desequilíbrio emocional e, consequentemente, a um distúrbio perigoso, com forte tendência a se transformar em truculência que, se continuamente alimentada, será matéria-prima para a formação do perfil do futuro gestor.

Competitivo e focado em resultados, a promoção para um cargo de gerencia é apenas uma questão de tempo, logo chegará a hora de colocar em prática tudo que ele aprendeu desde o berço.

Se a exigência pessoal por excelentes resultados sempre foi sua melhor virtude, com seus comandados ela será levada ao limite. Os colaboradores que eventualmente não consigam responder a sua exigência com desempenho, serão os primeiros a sentir o amargo sabor da sua truculência e, aqueles que foram também criados pela cartilha da competição e eventualmente consigam superá-la, inevitavelmente serão eliminados, por representarem uma ameaça.

Se o objetivo maior é bater as metas e se os resultados estão sendo alcançados, por que alguém iria pensar em mudar o trato com os colaboradores? Com um pouco de atenção conclui-se que os resultados alcançados são, a cada dia, mais de curto prazo e, claramente, de interesse de poucos. E esses poucos, quase sempre, não possuem nenhum compromisso com as corporações. Já foi demonstrado, há muito tempo, por vários estudiosos, que as corporações de maior sucesso e longevidade são as com foco nos colaboradores, e não em resultados imediatos.

A boa noticia é que existe uma importante mudança em curso. Frequentemente, por diversas razões, criticamos as novas gerações. Está na hora de elogiá-las. Elas estão começando a trazer para o mercado uma mudança que pode ser um duro golpe na gestão por truculência. Há estudos mostrando que os jovens que estão entrando no mercado de trabalho não se mostram mais dispostos, como os jovens de antigamente, a buscar uma empresa de grife, muito menos virarem apenas executores de metas e objetivos sem sentido.

Os jovens profissionais estão buscando um significado para sua carreira profissional e não simplesmente uma ascensão organizacional com um enorme pacote financeiro atrelado.

Obviamente que todos querem ascender na carreira com rapidez e com um bom pacote financeiro, mas o interessante é perceber que dia a dia a nova geração acostumada a quebrar paradigmas vem se mostrando com boas possibilidades de quebrar mais um, e extinguir definitivamente a gestão pela truculência.

A competitividade pela competitividade vem perdendo espaço para a qualidade de vida, a preocupação com os menos favorecidos, sustentabilidade e a para necessidade de fazer algo que realmente faça sentido para suas vidas. Temos a obrigação de incentivar para que o que hoje é uma semente possa se transformar em frutos e quem sabe em pouco tempo teremos corporações muito mais saudáveis para se trabalhar.

*Alberto Marcelo Parada é formado em administração de empresas e análise de sistemas, com especializações em gestão de projetos pela FIAP. Já atuou em empresas como IBM, CPM-Braxis, Fidelity, Banespa, entre outras. Atualmente integra o quadro docente nos cursos de MBA da FIAP, além de ser diretor de projetos sustentáveis da Sucesu-SP.

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