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Para analistas, pressão de investidores explica onda de aquisições na indústria de chips

Postado em: 29/05/2015, às 20:33 por Redação

O mercado de ações ultimamente tem penalizado as empresas de semicondutores que não conseguem melhorar as margens de lucro — uma tarefa difícil em uma indústria madura e sujeita à pressão feroz por preços. Alguns CEOs de empresas de capital aberto concluíram que a única maneira de impulsionar os preços das ações é vender para o mercado externo. Uma boa amarração pode trazer economia de custos ou outros benefícios que geram margens mais gordas.

Mas, independentemente da estratégia, reportagem do The Wall Street Journal mostra que essa pressão está levando a uma consolidação no setor, que atingiu o pico nesta semana com o anúncio da compra da Broadcom pela Avago Technologies, por US$ 37 bilhões. Na quinta-feira, 28, a Broadcom disse que recompensar seus acionistas foi a principal razão para aceitar a oferta em dinheiro e ações da Avago.

As duas empresas preveem que a operação combinada pode reduzir US$ 750 milhões em despesas no prazo de 18 meses, a partir do fechamento do negócio, além de elevar a margem de lucro operacional de 40% contra 24% da Broadcom sozinha.

Analistas ouvidos pelo jornal americano dizem as pressões enfrentadas pelos fabricantes de chips são paradoxais, já microprocessadores são os motores da transformação digital que está remodelando o ambiente empresarial em todo o mundo. Pequenas pastilhas de silício estão no centro das tendências que irão gerar um crescimento maior no futuro, especialmente a computação móvel, a internet das coisas (IoT), que promete colocar processadores em geladeiras, fornos de micro-ondas, elevadores, carros e até em roupas.

Algumas empresas que ainda não encontraram um comprador estão sentindo a pressão aumentar. A Altera, por exemplo, fabricante de chips para dispositivos lógicos programáveis, retomou as negociações com a Intel e está perto de fechar um acordo para ser vendida por cerca de US$ 15 bilhões. As conversações haviam sido interrompidas em abril, depois que acionistas como TIG Advisors LLC se posicionou contra a oferta da Intel.

Corte de empregos

Uma das consequências da consolidação é a redução de postos de trabalho, já que há uma sobreposição de funções em praticamente todas as áreas, de vendas, administração, marketing até suporte ao cliente.

Além de cortar postos de trabalho, os fabricantes de chips acham que podem reduzir custos com a venda de mais produtos com uma força de vendas praticamente do mesmo tamanho. Essa, por exemplo, é a estratégia adotada pela NXP Semiconductor para atingir grande parte dos US$ 500 milhões em redução de custos, após ter desembolsado US$ 11,8 bilhões para comprar a Freescale Semiconductor.

A Cypress Semiconductor, que em dezembro do ano passado adquiriu a Spansion, em uma transação de transferência de ações avaliada em US$ 1,6 bilhão, estima que a operação conjunta vai gerar uma economia de custos de US$ 135 milhões em três anos, através da oferta de produtos adicionais sem contratar mais pessoal de vendas.

O CEO da Cypress, T.J. Rodgers, que comanda a nova empresa, estima que mais de mil funcionários serão demitidos e 50 escritórios ao redor do mundo serão fechados. Além da redução de custos, Rodgers vê ganhos com a linha de produtos unificada. A Cypress, por exemplo, ganhou acesso aos chips da Spansion que lhe permite se tornar uma fornecedora para eletrônicos de automóveis.

Margens menores

A consolidação da indústria de semicondutores coincide com as dificuldades de algumas empresas de chips, principalmente para PCs, avalia Jon Erensen, analista do Gartner. As vendas de tablets, que contribuíram para a desaceleração do mercado de PCs, vêm diminuindo desde 2013. Ele prevê uma pequena retomada apenas neste ano, quando as vendas devem crescer 4%. "As vendas de smartphones fora da China também estão mais lentas do que nos últimos anos," acrescentou.

Depois das vendas totais de chips crescerem 7,9% em 2014, o Gartner chegou a estimar recentemente que elas teriam expansão de 4% neste ano, para US$ 35 bilhões, projeção que já foi revista para baixo. Erensen avalia que a fusão da Avago e Broadcom e outros fabricantes está sendo fomentada pela internet das coisas.

Outro fator que também tem influído na consolidação do setor é que os investidores avaliam os fabricantes de chips de forma menos favorável do que alguns anos atrás. Ao longo dos últimos 20 anos, a diferença no preço médio das ações dos fabricantes de semicondutores em relação a outras empresas do índice Standard & Poors 500 era de 32,5%, Segundo a analista da Sanford C. Bernstein, Stacy Rasgon. "Eles estão negociando atualmente a um desconto de 15% para esse índice."

Concorrência chinesa

Além disso, os investidores em empresas de tecnologia têm preferido colocar seu dinheiro em empresas como Facebook, que têm margens de lucro muito mais amplas e as perspectivas de crescimento de receita muito mais rápido. As margens de semicondutores são pressionadas por fatores como a concorrência de preços com empresas chinesas. "O preço está em colapso", diz Stacy. "A piscina de lucro está indo embora."

A Qualcomm, por exemplo, maior fabricante de chips para smartphones, enfrenta forte concorrência de rivais baseadas em Taiwan, como a MediaTek. Em razão disso, o fundo de investimento ativista Jana Partners está pressionando a empresa a separar a divisão de chips da unidade de licenciamento de patentes, que responde pela maior parte do lucro da empresa.

O fundo, que adquiriu 4,4 milhões de ações por cerca de US$ 2 bilhões, tornando-se um dos maiores acionistas da Qualcomm, também está pressionando a companhia a reduzir custos, acelerar a recompra de ações e fazer alterações em sua política de remuneração de executivos, além de mudar a forma de elaboração de relatórios financeiros e a estrutura do Conselho de Administração.

A pressão sobre a empresa ocorre por o preço de suas ações está 11% abaixo em relação ao ano passado e os dividendos pagos aos acionistas têm ficado muito aquém do valor pago, ao longo dos últimos cinco anos, por pesos pesados da indústria de tecnologia que compõem o índice Nasdaq 100.

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